Primeiramente eu gostaria de me desculpar por não levar isso aqui pra frente, o que acabou por ser um ato meio egoísta porque eu sei o quanto esse tipo de incentivo pra pessoas como eu ganhar o mundo é importante. Eu sei, mas tive meus motivos. A maioria das coisas boas que eu vou levar daqui e das experiências que eu vivi eram muito pessoais, eram aprendizado próprio. Eu saí de casa como uma menina pensando, ou melhor, sonhando como seria a vida aqui, pensando que morar sozinha num país diferente distante de tudo que eu tinha como vida normal seria a coisa mais tranquila e simples de se fazer. Bem, não foi. Mas vocês querem saber de uma coisa? Que bom que não foi. Porque cada uma das experiências que eu vivenciei me fizeram mais forte e me ajudaram a amadurecer um bocado. E eu vou tentar resumir um pouquinho das experiências que eu passei por aqui.
A primeira semana aqui o primeiro susto foi encontrar brasileiro como a zorra. Encontrar uns 20 brasileiros assim na encruzilhada do fim do mundo com o polo norte não é a coisa mais comum do mundo. E isso tem suas vantagens e desvantagens. Mas eu não via isso naquela época. Mas enfim, nessa primeira semana fiquei hospedada (leia-se ilhada) num hotel antes de o meu apt ficar livre. Só que do hotel não tinha jeito de eu sair pra lugar nenhum a não ser que fosse de carona (que eu ia pro College), de taxi ou atravessando uma rodovia mega movimentada. Como era só uma semana, sobrevivi.
Mas então, with a BIG help from the College, eu me mudei pro meu apartamento. Aaah, então agora é só arranjar uma roomate, fazer milhões de festas e chegar da balada a hora que eu quiser, certo? Só que não! Primeiro a parte da roomate aqui foi tarefa impossível que não se concretizou. Minha primeira tentativa de festa foi um fail épico, que me fez pensar em onde que eu tava com a cabeça em fazer uma festa onde você não pode nem secar a roupa depois das 23 hrs pelo barulho da máquina. Mas ok, lesson learned. A única coisa que eu podia fazer mesmo era chegar da balada a hora que eu quisesse. Gradis coisas, a balada fecha as duas mesmo (sim, você não leu errado. e essa não é a única coisa esquisita sobre a famosa shotgun, a única balada da cidade). Não era como se eu fosse chegar em casa no outro dia de manhã todo sábado.
Além disso, eu aprendi morando sozinha que: eu sou mais bagunceira que eu imaginava, mais preguiçosa que eu imaginava e melhor cozinheira que eu imaginava. Percebi que eu definitivamente não levo jeito pra dona de casa e só vou inventar de morar sozinha de novo quando eu tiver dinheiro pra pagar alguém pra arrumar pra mim toda semana. Mas além disso, o que eu gostei de morar sozinha é que eu aprendi a gostar muito mais de mim, da minha própria companhia. Isso levou tempo, claro, mas foi muito bom. Além de ser bom poder exercer minhas manias de falar sozinha e cantar sem ninguém achar que eu sou maluca ou ter que aturar minha cantoria enjoada. Ah, e descobri também que fazer feira pode ser super cansativo mas também bem divertido.
Mas grande parte do meu crescimento, talvez a maior, por aqui foi pelos relacionamentos. Talvez pelo fato de conhecer gente de diversos lugares, tão diferente de mim, que eu senti que foi diferente. Eu pude compartilhar experiências e conhecer outros modos de viver e de pensar. E também pelo fato de que tudo num intercâmbio é muito intenso. Sabe os """""""guerreiros"""""""" que saem do Big Brother dizendo que tudo que eles viveram lá foi rápido, mas foi muito intenso? Então, foi a mesma coisa aqui, sem a parte da pegação sem limites. Enfim, conheci gente que foi meu amigo do começo ao fim, conheci gente que me surpreendeu negativa e positivamente, conheci gente de todas as formas possíveis e cada uma me despertou um sentimento diferente e especial. Cada uma delas contribuiu pra que o meu tempo aqui fosse inesquecível.
É, acho que BEM resumidamente foi isso. Agora eu tou a uma semana de pegar o avião, já com mil coisas pra fazer, final pra estudar, presente pra comprar. Mas principalmente eu tou me dando conta de que eu vou sentir muitas saudades de tudo que eu vivi aqui e de pessoas que eu conheci e que, infelizmente, eu posso não ver nunca mais. E que sou péssima com despedidas, jurei que não vou ficar triste e que vou dar um até logo a todos. Que o destino se encarregue do restante.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
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1 comentários:
Muito bom de ler suas experiência Ray , aproveita muuuuito sua última semana , grande abraço !!!!!!
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