Tudo começou com um acidente gravíssimo e clássico de batida de cadeira de rodas em 2012. Sim, porque eu sou uma pessoa de uma destreza que impressiona. E foi aí que eu consegui uma amiga veterana quando eu era caloura, através dela, um estágio quando eu era a única estudante em tempo integral da minha turma e um leque enorme de possibilidades que se abriu como se estivesse no meu destino estar naquela hora e naquele lugar. (Visitem o blog dessa minha amiga Paula, o nome é "Ô, essa menina". Não vou colocar o link, deixem de preguiça e google it!)
O fato é que eu comecei a trabalhar no mesmo lugar que a Paula trabalhava, ocupando o lugar dela. E claro que eu não estaria mais a vontade que na Assessoria para Assuntos Internacionais do IF que eu estudo. E foi a partir desse ponto que tomou força dentro de mim a vontade de viver a experiência de um intercâmbio.
Eu, como muitas pessoas com necessidades especiais, pensava aqui com meus miolos que isso era tarefa impossível. São tantos obstáculos que o cotidiano, principalmente no Brasil, impõe na nossa vida que a gente não se imagina em outra realidade que não seja a de ser pelo menos um pouco dependente de alguém pelo resto da vida. E num intercâmbio, como seria? Eu que gosto tanto de fazer as coisas sozinha do meu jeito vou encontrar estrutura pra isso?
Pra tentar desencanar minha cabeça eu contei com a ajuda da (de novo, novamente) Paulinha. Aí ela já tinha se tornado um referencial de coragem, perseverança e muitas outras coisas pra mim. Eu vi ela ir e voltar do Canadá e pude tirar muitas dúvidas com ela inclusive enquanto ela estava por lá. Depois de muito papo eu já estava determinada à pelo menos me inscrever. Pelo meu trabalho, eu pude acompanhar todo o processo seletivo interno de 2013 para esse intercâmbio e torcer pra que as meninas passassem no processo externo do ELAP. (o programa de intercâmbio do governo canadense para alunos da América Latina).
Passado um ano, o edital abriria de 2014 de Fevereiro pra Março. As conversas em casa sobre meus planos tinham agora que ser pra valer. No começo eu pensei que não fosse encontrar apoio, afinal, nunca tinha passado sequer uma noite num lugar em que meus pais não estivessem presentes. E nem eu tinha plena certeza se era madura suficiente pra enfrentar tudo o que estivesse por vir. No final das contas, eu consegui o consentimento que desejava e dois votos de confiança que valem mais que ouro.
Me inscrevi, fiz entrevista, fiz carta de intenção, fiz prova. A boa nova do edital interno não demorou a sair. Ao contrário do externo. Foram cerca de dois ou três meses de muita ansiedade, de tentar esquecer pra ver se o tempo passava mais rápido. Até que no mês de Julho, na quinta feira da semana limite de tempo hábil para preparação de uma viagem internacional, eis que sinto uma vibração na bolsa no meu colo no caminho de volta pra casa. Levei poucos segundos pra processar o efeito que aquele email teria na minha vida. Quase causei um acidente de carro por ter surtado na hora. Experimentei pela primeira vez na vida o que é chorar de felicidade.
Com a confirmação da minha bolsa do intercâmbio, eu queria agilizar tudo o que fosse possível, passagens, visto e acomodação. Os dois primeiros itens foram tranquilos, mas o último resultou em dores de cabeça, noites mal dormidas e muitas lágrimas derramadas. As criaturas andantes podem achar que isso é o de menos, afinal com dinheiro se arranjaria qualquer coisa. Mas não foi bem assim. Não numa cidade pequena em que o leque de opções não é tão grande assim. O plano desde o começo era ficar na residência universitária dentro do próprio College. Só que isso não foi possível, os dois quartos adequados pra mim na residência estavam ocupados pros dois semestres seguintes. Só depois de me inscrever é que tomei conhecimento da quantidade de alunos que procuram o College of the Rockies e que lotam residências, casas de família e afins meses antes do semestre letivo começar. Nessa situação, eu corria sérios riscos de perder a bolsa que havia conseguido.
Não posso negar que o College foi muito solícito em arrumar alternativas para mim. Mas meu plano sempre foi ir em Setembro e eu iria fazer tudo pra que ele fosse realizado mesmo quando o College of the Rockies disse que tinha tentado de tudo e que infelizmente não ia rolar (pelo menos não como eu queria). Aí foi quando um dos principais anjos na minha vida entrou em ação, ele numa manhã conseguiu o que seria uma moradia (quase) perfeita. Eu iria morar sozinha pela primeira vez na vida. Pelo menos até eu encontrar uma roomate para dividir o apartamento (ou encher o saco! Brincadeira!). Então eu fui da tristeza à alegria faltando menos de uma semana pra embarcar no avião.
O que nos leva ao tempo presente em que estou, escrevendo o primeiro dos posts nesse blog que eu espero que sirva além de memória pessoal mas também de incentivo para aqueles que acreditam ser impossível. Não é. E eu vou provar por A + B, querem ver?
Um beijo e até mais!
